A imagem do professor, desenhada desrespeitosamente no quadro, evoca a relação entre o sagrado e o profano representados, respectivamente, pelo professor e o palhaço. O anjo Azul, tomado pelo tédio do céu observa a tentadora vida dos profanos e passa a desejá-la. Essa forma, blue de ser, do professor ressoa no canto do galo, como um movimento de libertação e é abordado em momentos estratégicos dentro do filme, como o momento em que se casa( rompendo com sua identidade de professor), e no momento em que se separa (rompendo com o palhaço). Ironicamente esse sentimento blue do professor alemão ressoa como blues, cantado pelos negros escravos nos EUA. O que o professor pode ter percebido, no seu derradeiro fim (com o perdão do pleonasmo!), é que a tristeza é natural ao ser humano, sempre inconsequente, insatisfeito. Esse blue(s) o acompanha e termina como um triste cântico do fim.
Viviane Theodorovicz
(mestranda em Letras, UNICENTRO)
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