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sexta-feira, 27 de abril de 2012

REFLEXÕES SOBRE O FILME “O ANJO AZUL”


É possível também observar no filme, a tensa relação entre professor e alunos no processo educativo de uma escola tradicional. Um forte poder psicológico e social. Rath, ser superior; talvez já condicionado às características de um moralismo puritano, atribuído à figura de professor, com a necessidade de afirmação da autoridade do papel social do professor; impõe-se perante os alunos, chegando a apavorá-los, o medo é mais visível ainda, em um dos alunos, esse também manipulado pelos colegas sem oportunidade de contestação; por ora percebe-se o “silenciamento” desses perante o poder do professor.Rath detentor de seu poder e cumprindo “suas obrigações” vai até o cabaré à procura de seus alunos. Vejo aqui o abandono do “silenciamento”, pois retornam outras vezes ao cabaré; a busca, as transgressões individuais que demonstram um afastamento dos padrõe reguladores daquela época.

Os alunos descobrem que o professor se envolve com Lola, no cabaré, então desfaz-se o “silenciamento” dos alunos( zombações em sala de aula) diante da posição autoritária e dominadora dos professor. Há portanto, um enfrentamento dos alunos, provocando a destruição da imagem do professor modelo vista pela sociedade daquela época, sendo ainda despedido; vemos a dissolução da autoridade hierárquica com a demissão do professor.

Em oposição à quebra desse “silenciamento” dos alunos, reforça-se o silenciamento do profº, devido às suas características especiais de vulnaberilidade, assim como os modelos e heróis dos cinemas, provavelmente pelas ambiguidades não resolvidas a respeito de seu papel social que rompe com o papel de herói e ao mesmo tempo subalterno; o filme expõe Rath ao olhar do público como submisso e destruído pela paixão, saindo de cena derrotado. Lembrando que essa submissão perdurou por muitas décadas, como exigência pedagógica para o sucesso da profissão. Dessa forma o faz síntese das contradições do sistema social, sofrendo, controlando sempre e buscando sua liberdade individual.



Janete A. Giordani

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Aproveitando o gancho dos comentários no blog...

A imagem do professor, desenhada desrespeitosamente no quadro, evoca a relação entre o sagrado e o profano representados, respectivamente, pelo professor e o palhaço. O anjo Azul, tomado pelo tédio do céu observa a tentadora vida dos profanos e passa a desejá-la. Essa forma, blue de ser, do professor ressoa no canto do galo, como um movimento de libertação e é abordado em momentos estratégicos dentro do filme, como o momento em que se casa( rompendo com sua identidade de professor), e no momento em que se separa (rompendo com o palhaço). Ironicamente esse sentimento blue do professor alemão ressoa como blues, cantado pelos negros escravos nos EUA. O que o professor pode ter percebido, no seu derradeiro fim (com o perdão do pleonasmo!), é que a tristeza é natural ao ser humano, sempre inconsequente, insatisfeito. Esse blue(s) o acompanha e termina como um triste cântico do fim.

Viviane Theodorovicz
(mestranda em Letras, UNICENTRO)